
Título Original: À Deriva
Direção: Heitor Dhalia.
País: Brasil
Gênero: Drama
Duração: 103 minutos
Ano de Lançamento: 2009
Nota: 9
Laura Neiva, talvez a primeira atriz nacional a ser descoberta pelo Orkut, é quem dá vida a Filipa, a complicada protagonista do belíssimo À Deriva, filme de Heitor Dhalia.
Filipa tem 14 anos, uma família grande e um jeito de criança partindo para a vida adulta. Acompanhamos Filipa e sua mobilete pelas ruas de Búzios (Na verdade, a cidade das filmagens é Arraial do Cabo- RJ) onde passa as férias com a família. Ao descobrir timidamente que seu pai mantém um caso com a vizinha inglesa, sua vida dá uma reviravolta intensa, que, apesar da influência notável na vida de Filipa, é sutilmente retratada no filme.
Entre paisagens tropicais de ar retrô, Filipa descobre, com relutância, o que representa a verdade e a mentira, a fidelidade e a traição. Conhece, de modo doloroso, os fatos que levam o casamento de seus pais a uma crise. Descobre a complexidade dos relacionamentos, dos vícios e do amor em si.
À Deriva tem um "quê" de auto-biográfico, de acordo com o diretor Heitor Dhalia, que diz não ser um filme de história própria, mas de sensações e sentimentos já experimentados por ele.
A escolha dos atores Vincent Cassel e Camilla Belle, deu um toque refinado à produção, tendo em vista que ambos não são brasileiros, porém mantém algum vínculo com o país, exatamente como na obra. Além da presença de peso de Débora Bloch, que provavelmente precisou se controlar para não esmagar o personagem de Vincent, o escritor Mathias, com sua participação mais do que marcante.
Por fim, a mistura de atores internacionais, Búzios nos anos 80 e a bela Laura Neiva, com todos seus traços de menina-moça, fazem de À Deriva, um filme para não somente assistir, mas sentir – a trilha sonora escolhida deixa bem clara a necessidade de Heitor em evidenciar o abstrato. As dores de Filipa são tomadas e minuciosamente reconhecidas por cada espectador que se propõe a acompanhá-la em sua difícil, porém incrível jornada.
Um enredo simples, que ganha força pelo talento de seus atores, cenários e diretor. Excelente.
Direção: Giuseppe Tornatore
País: Itália
Gênero: Drama/Romance
Duração: 90 minutos
Ano de Lançamento: 2000
Nota: 9Quase um sonho realizado, assistir a esse filme. Desde pequena ouço falar de Mônica Bellucci e sua beleza estarrecedora, cuidadosamente salientada em Malena.
Tive extremo cuidado ao escrever qualquer coisa sobre, porque a real mensagem do filme, confesso, não me veio à cabeça de imediato. Mas, agora, está claro que o filme não é baseado noutra coisa senão na perda da inocência, de ambos os protagonistas. O menino Renato(Giuseppe Sulfaro), que acaba por se apaixonar pela bela Malena(Monica Bellucci) de maneira não só sexual como sentimental, e a reviravolta na vida da jovem viúva, objeto de intenso desejo entre os homens e desgosto geral das mulheres do vilarejo, que acaba por se perder na própria beleza e inveja alheia.
Filmado do ponto de vista do menino, acompanhamos as intensas perseguições de Renato à mulher, chegando ao ponto de arrumar uma brecha para espiar o interior da casa desta. Com o desenrolar da história, tamanha intimidade não-permitida leva Renato a perceber o quão vago é o “amor” dos homens que desejam e abusam da moça; no fim das contas, percebem ambos, que as únicas fontes de amor verdadeiro de Malena, eram ele e o falecido marido.
Uma vez ciente disto, Renato, inconformado e protetor, arma pequenas artimanhas escondidas contra os que difamam Malena; sendo estas úteis somente para vingança pessoal.
Em meio a dificuldades e sob extrema pressão social, a mulher vê-se jogada em um poço de angústia e perdição, onde é preciso agarrar-se à luxúria alheia para se salvar.
É um filme cheio de extremos, com uma paisagem incrível - destaque para a cena em que o menino atira um disco de vinil ao mar - e ao mesmo tempo, decadente. Nos faz pensar sobre a capacidade de um menino amar de forma tão singela e pura, deixando claro que a força do amor pode quebrar a corrente invisível do preconceito extremo.
O final não é tão impressionante, é, na verdade, bem previsível. E não falo das cenas finais, mas do desfecho puro, dos últimos dez minutos, da semi-entrada dos créditos. De qualquer modo, é uma história de amor e nobreza infindáveis, focado no poder que trás a beleza efêmera.
Muito bom!
Título Original: The Magdalene SistersDireção: Peter Mullan
País: Inglaterra
Gênero: Drama
Duração: 119 minutos
Ano de Lançamento: 2002
Nota: 8
Ao ouvir meu pai indicando-me “Em nome de Deus”, pensei que talvez fosse uma entediante crítica à igreja católica e seus seguidores do século passado. Porém, ao bater os olhos, Nora-Jane Noone conquistou-me com o olhar devasso que estampava a capa. Dei mais uma chance aos filmes bizarros sobre internatos, e, com certeza, não foi em vão.
Irlanda, década de 60, três jovens são trancafiadas em um dos diversos “Lares Madalena” espalhados pelo país, para pagar por erros banais: Margaret (Anne-Marie Duff), por ter sido estuprada por seu primo durante um casamento; Rose (Dorothy Duffy) por ser mãe solteira e Bernadette(Nora-Jane Noone) por ser muito bonita, apresenta perigo aos rapazes das redondezas.
Filmado do ponto de vista das jovens mulheres, o filme é repleto de momentos bruscos e dispostos a causar revolta ao telespectador. É, de fato, uma pesada viagem ao meio do século passado, onde a repressão à população feminina era totalmente consentida e aprovada em silêncio – ou, em alguns casos, de forma escancarada. Baseado em fatos reais, “ Em nome de Deus” me deixou uma profunda marca de agradecimento por estar vivendo, agora, em uma sociedade muito mais tolerante com o sexo forte.
Devo acrescentar o quanto a personagem Bernadette me cativou; a cabeça do grupo, bela, manipuladora e segura de si, não se dobra e resiste à repressão injusta até o fim. O grande feito do filme é justamente ela, no desfecho. Bernadette, em sua beleza atrevida, marca os créditos finais com um total ato de rebeldia e liberdade ao deparar-se com duas freiras, deixando claro o desejo irrefreável de ser uma mulher livre e as profundas marcas deixadas em sua memória.
Um belo filme, com fotografia propositalmente pouco trabalhada e escurecida, que acaba por passar o ar de esquecimento, descuido e falta de esperança. Nada longe da realidade enfrentada por cada uma das jovens irlandesas que viveram em um dos Lares de Madalena.
Marcadores: crítica, filmes, magdalene sisters
Título Original: Evening
Direção: Lajos Koltai
País: EUA
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 117 minutos
Ano de Lançamento: 2007
Nota: 8,0
Para opinar sobre qualquer coisa relacionada a esse filme, devo confessar que antes de assistí-lo tinha certos pré-conceitos. Para mim, soava como um clichê toda a idéia de personagem à beira da morte relembrando de fatos do passado. Mas como, como, um filme, onde "todo o elenco da produção, somados, tem 25 indicações ao Oscar" poderia me decepcionar? Ao final, me senti bastante mal por ter subestimado um dos filmes mais adoráveis que já tive a oportunidade de ver.
Ao Entardecer é a minha indicação perfeita para os amantes de dramas sutis.
Ann Lord (interpretada por Vanessa Redgrave em velhice, e por Claire Danes na juventude), está em seu quarto, em seus dias finais, apenas descansando. Em seu sono, as lembranças de pessoas e momentos da juventude vem à tona; mas um momento, em especial, parece se instalar na mente de Ann: O dia em que viajou até a cidadezinha litorânea da amiga Lila Wittenborn ( Mamie Gummer/Meryl Streep) para ser sua madrinha de casamento. A mudança de cena, em tons pastéis bastante fechados, para os flashbacks cheios de vida, fazem um contraste excelente entre o passado promissor e despreocupado da jovem, que durante a viagem, saudosamente, reencontra figuras de sua época colegial, como Buddy Wittenborn(Hugh Grant), irmão da amiga Lila.
As cenas oscilam entre a fantasia e a realidade, mostrando em cortes, também, a vida das filhas de Ann, Constance (Natasha Richardson) e Nina (Toni Collette) provavelmente com a mesma idade de Ann na época em que conheceu o inesquecível Harris (Patrick Wilson), um amor em comum com a amiga Lila, que perdurou em suas lembranças até seu último minuto de vida.
Definitivamente, muito bom!

Título Original: Der Baader Meinhof Komplex
Direção: Uli Edel
País: Alemanha
Gênero: Ação
Tempo de Duração: 150 min.
Ano de Lançamento: 2009
Nota: 8,5
O grupo Baader Meinhof é um filme excelente.
Isso já diz muita coisa, mas não tudo. Como o título é uma incógnita para muita gente, explico: O filme retrata a história verídica de um grupo extremista na Alemanha dos anos 60 e 70, que lutava contra o imperialismo ditado pelos EUA - em plena explosão da guerra do Vietnã -, e contra o que era chamado de "novo fascismo" aplicado pelo governo Alemão. A ideia passada pela cena de abertura genuinamente retratada, é de abuso de poder e violência extrema e desnecessária, o que leva-nos a assistir todo o filme do ponto de vista dos integrantes do grupo.
A origem do Grupo Baader Meinhof deveu-se à junção de vários fatores da época: o liberalismo dos anos 70, acoplado aos imensos movimentos estudantis da época, usualmente contra o governo, e a revolta do domínio dos EUA. Em seu início, é possível rever vários floreios nas histórias de vida dos líderes Ulrique Meinhof (Martina Gedeck), Andreas Baader (Moritz Bleibtreu) e Gudrun Ensslin (Johanna Wokalek), mas, em sua essência, o filme é fiel aos fatos.
É claramente demonstrado durante os primeiros minutos de filme, a divisão entre a contestação teórica do sistema turbulento e a ação pura para conseguir atenção da mídia. Porém, no decorrer deste, ambos se misturam em uma surreal guerra civil, onde os integrantes do grupo mantém agarrados a si seu polêmico lema chave: poucos morrem, para que muitos tenham a paz.
Indicado pra quem adora a história e o estilo de vida dos anos 60 a 80, como esta que vos escreve, mas não dispensa os efeitos especiais do século XXI.
(Pronto, um ótimo filme de Ação, pra quem me perguntou porque aqui no blog só dava romance e drama. Hahaha. )

Título Original: Conversations with Other Women
Direção: Hans Canosa
País: Inglaterra / EUA
Gênero: Romance
Tempo de Duração: 84 minutos
Ano de Lançamento: 2005
Nota: 8,0
Um homem e uma mulher (Aaron Eckhart e Helena Bonham Carter, respectivamente.) que se encontram em uma festa de casamento, não conseguem conter os impulsos naturais da atração, e vêem-se arquitetando a noite em um quarto de hotel, onde culpa, dúvida e lembranças, predominam acima de qualquer ato físico.
Simplicidade. Split Screen. Personagens sem nomes. Diálogo nervoso.
São os componentes de "Nosso amor do Passado", que, à primeira vista, passa a imagem de um romance pesado e caótico, com direito a muita nostalgia e insatisfação por parte dos personagens. O que surpreende? Nada é o que aparenta ser.
Começando com uma melodia divertida e suave, o filme é embalado por diálogos afiados, bem elaborados, sem o "quê" de romance clichê. A naturalidade dos atores impressiona drasticamente, elevando o enredo a um patamar bastante distinto; a sensação é estar em uma peça de teatro, da qual a cada espetáculo você tem uma visão completamente diferente da anterior. Quase sem efeitos especias, com poucos cortes de cena e uma doçura palpável, aos 40 minutos de filme é possível Pausar e refletir o quanto já se está envolvido e apaixonado pela história. O que faz falta é uma trilha sonora mais elaborada - o filme possui apenas uma música em sua trilha sonora.
Com certeza, um filme para ver e rever.
x,
R.
Direção: Bruno Chiche
Roteiro: Bruno Chiche, baseado em romance de Lolita Pille
Título Original: Hell
Gênero: Drama
País: França
Ano de Produção: 2006
Tempo de Duração: 100 minutos
Nota: 6,5
Hell é um filme baseado no livro Hell Paris 75016 escrito por Lolita Pille, um tanto auto-biográfico, e bastante fiel à realidade que retrata: sexo, drogas, baladas, carros caros, roupas mais ainda. O filme não me surpreendeu muito e o final deveria ser mais bem elaborado.
O que salva, é, como falei antes, o realismo dado ao mundo em que a protagonista vive. O filme não pecou em um aspecto fortíssimo que muitos outros insistem: retratar o mundo dos jovens do ponto de vista de um adulto ditando o que está certo e o que está errado, quem merece ser punido, quem será influenciado. Exemplos? Meninas não choram, Kids, e seriados como Skins - Juventude à flor da pele.
O "quê" de julgamento adulto está completamente fora do livro e do filme de Lolita, e é o que o torna interessante; os jovens são deixados à deriva.
Ella (Sara Forestier), conhecida pelo círculo de amigos como Hell, é uma jovem parisiense em busca de algo que não sabe ao certo o que é. Rica, de vida ganha e completamente alheia à compromissos, acaba conhecendo Andrea (Nicholas Duvauchelle), um mal-falado galã da noite entre as mulheres. A falta de obrigações e o excesso de luxo e serventias transforma o casal principal em dois pedaços de carne; sem nenhuma profundidade emocional.
Porém, com o desenrolar do filme, os atritos começam a aparecer e ambos se vêem jogados em uma teia de sentimentos mais fortes do que eles estão acostumados a lidar.
A trilha sonora é boa (tem Placebo!) e o roteiro cheio de piadas infames e sarcasmo.
Não é um ótimo filme, nem uma superprodução hollywoodiana, mas, para os amantes de filmes cult, é uma pedida fina.
Título Orginal: The Virgin Suicides
Direção: Sofia Coppola
Música Original: Jean-Benoît Dunckel, Nicolas Godin, Richard Beggs
País: USA
Gênero: Drama
Ano do filme: 2000
O título por si só já é impactante - talvez o filme seja um clássico cult, em grande parte, por isso. Por isso, e pelo fato de ter Sofia Coppola na sua primeira direção - filha do grandioso Francis Ford Coppola.
As irmãs Lisbon, todas dotadas de uma beleza sutil e conservadora, são postas em pedestais pelos pais super-protetores, e assim acabam sendo vistas pelos meninos do bairro e do colégio: inalcançáveis. Porém, as coisas mudam quando o galã do colégio, Trip (Josh Hartnett) convence Lux Lisbon a ir ao baile com suas irmãs. A partir daí, a tênue linha de confiança no mundo que fora estabelecida pelo Sr. e Sra. Lisbon ao permitirem a ida das meninas ao baile se rompe, dando início a acontecimentos pra lá de estranhos.
O que faz o filme discreto e sensual realmente valer a pena, é a falta do toque sensacionalista de hollywood; os suicídios não são retratados como um ato maléfico ou como um drama exacerbado. Após conhecer a vida - quase sufocante - das cinco jovens, Cecília, Lux, Bonnie, Mary e Therese Lisbon, o suicídio mostra-se leve, como uma válvula de escape para cada uma das garotas. Dentro disso, vem o fato conceituado e explícito de que as irmãs Lisbon não se suicidaram por simples rebeldia, mas, sim, por não aceitarem o mundo cheio de falhas e desafetos que lhes era imposto. Um filme que vale a pena conferir.
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